sábado, 5 de dezembro de 2009

Arte erudita é para a elite?

Publicado em 22/08/2006 em complexobob.zip.net e republicado neste Blog!
“Só uma pequena minoria é capaz de apreciar e usufruir da experiência estética apresentadas nestes espaços, mas através de impostos, um número muito maior paga pelas realizações artísticas. Contudo, aos códigos da arte erudita tem acesso apenas uma pequena elite.”

Arte erudita e arte popular. A dicotomia existente na concepção de arte que acaba por ser uma classificação de uma arte sofisticada para a elite e uma arte grosseira para a maioria tem provocado reações e as discussões em torno deste dualismo têm ganhado tom de polêmica. Ana Mae Barbosa, autora da frase acima em seu livro A imagem no ensino da arte defende uma maior aproximação da cultura erudita com a popular a partir da maioria, já que, segundo ela, a minoria que ela denomina elite, já se apropriou da cultura popular. Junta-se a ela outros como Valdisa Russio Guarnieri, Hugues de Varine, em grande parte profissionais de museologia e educação.
Ana Mae afirma ainda que a educação é o meio de preparar um novo público que seja capaz de fruir arte.
No entanto, a questão se apresenta um pouco mais complexa. Artistas contemporâneos têm usado sua linguagem artística para fazer frente à cultura de massa, essa produzida como um mero produto de mercado para uma grande maioria, o mesmo público que produz a arte popular. E afirma-se dela que não pode compreender a arte que está nos museus de arte moderna e contemporânea porque não está preparada intelectualmente e criticamente para isso. E isto não é um equívoco.
No dia 23 de Julho o conceituado crítico de arte, curador de exposições importantes como a “Lívio Abramo” no instituto Tomie Ohtake, Olívio Tavares de Araújo concedeu uma entrevista ao Net Processo, site especializado em arte contemporânea e fez afirmações polêmicas sobre como os novos críticos de arte têm realizado seu trabalho e deixa transparecer em suas posições que atualmente os críticos e curadores não têm se preocupado em tornar a linguagem da arte erudita acessível ao grande público:

“Escrever de uma maneira não clara é uma estratégia de ocupação de espaço e de criação de poder. Um dos postulados da era de comunicação é que a informação é poder, um postulado da cultura do século 20 e 21. Na medida em que você pega uma informação e a reveste de uma certa aura de incompreensibilidade, você a está tornando uma informação privativa sua ou pelo menos em parte. Essa aura em torno dela cria um status.”

Na entrevista Olívio Araújo fala, também, de sua carreira, como, segundo ele “acidentalmente”, começou a escrever sobre artes, fala nas mudanças de conceitos dos críticos de arte no Brasil e relembra de Harry Laus. Suas falas são contundentes e muitas vezes, ácidas.
No entanto, esta discussão também está presente entre os estudantes. Em uma discussão que participamos com colegas alunos de Artes Plásticas da Universidade Braz Cubas em Mogi das Cruzes surgiu um questionamento: Se grande parte destes profissionais que podem, institucionalmente, escolher que tipo de arte estará nos museus e bienais tem em comum pensamento que a cultura de massa é nociva, entretanto, afastam com uma linguagem inacessível a arte erudita do grande público. Estariam eles também contribuindo pra eternizar a grande distancia cultural entre a maioria despreparada com sua arte popular e a minoria intelectual?

Quem quiser conferir a entrevista acesse o link:

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